Insônia. Chuva na janela. Lenine toca ao fundo. Uma coberta. Um notebook no colo. Esse é o cenário para esta publicação. Informo que 2010 tem sido um ótimo ano, que não sou mais um estagiário, que ainda sou um comunicador-em-enroladíssimo-processo-de-graduação e que me promovi a 'freela com registro profissional' - o que tem me proporcionado experiências inacreditáveis.
Li os posts que escrevi - já se foram três: e nenhum indispensável, aliás, mas vi que aprendi na pele uma resposta:
"(...) Fotojornalistas são realmente insensíveis por já terem se sensibilizado demais ou simplesmente ignoram o que sentem só para ter o trabalho feito?" (em 03/08/09).
Depois de 'intensa pesquisa empírica', percebo que não é (somente) para se ter o trabalho feito, mas é auto-preservação. Depois de registrar intensamente vários homicídios, acidentes, apreensões, tiroteios, greves e hospitais lotados nos dois últimos anos, passei a entender que as cenas que antes eram absurdas no ínicio de tudo já se tornaram "tudo novo de novo" [parafraseando Paulinho Moska]. Passei a entender então que a repetição caleja e que a câmera é um limitador, que separa o acontecimento à frente e a vida alheia do profissional por trás dela. É isso.