15 de dezembro de 2010

Atualização de vida

Insônia. Chuva na janela. Lenine toca ao fundo. Uma coberta. Um notebook no colo. Esse é o cenário para esta publicação. Informo que 2010 tem sido um ótimo ano, que não sou mais um estagiário, que ainda sou um comunicador-em-enroladíssimo-processo-de-graduação e que me promovi a 'freela com registro profissional' - o que tem me proporcionado experiências inacreditáveis.

Li os posts que escrevi - já se foram três: e nenhum indispensável, aliás, mas vi que aprendi na pele uma resposta:
"(...) Fotojornalistas são realmente insensíveis por já terem se sensibilizado demais ou simplesmente ignoram o que sentem só para ter o trabalho feito?" (em 03/08/09).

Depois de 'intensa pesquisa empírica', percebo que não é (somente) para se ter o trabalho feito, mas é auto-preservação. Depois de registrar intensamente vários homicídios, acidentes, apreensões, tiroteios, greves e hospitais lotados nos dois últimos anos, passei a entender que as cenas que antes eram absurdas no ínicio de tudo já se tornaram "tudo novo de novo" [parafraseando Paulinho Moska]. Passei a entender então que a repetição caleja e que a câmera é um limitador, que separa o acontecimento à frente e a vida alheia do profissional por trás dela. É isso.

12 de fevereiro de 2010

Em resposta a...

Recebi um tweet que me indagou - de certa forma - sobre o que acho dessa atual fase de Brasília. E optei por montar este post porque um tweet de 140 caracteres não me dão voz suficiente, não nesse caso ao menos.

"Vc acha q Brasília merecia essa humilhação pública? Mané festa de 50 anos começou, zé! Aliás... tu é parente do governador?" (@dopedrinhobello)

Então... Acho que podemos discutir o sentido de "humilhação pública".

Essa é uma situação em que medidas vieram com grande atraso, mas que escreve um capítulo inédito na história do país. Vejo muito claramente que essa "humilhação pública" não é (ou ao menos não deveria ser) dirigida à cidade, mas apenas contra seus governantes que vem realizando diversas transações ilícitas de vários âmbitos ao longo de seus mandatos - e não me refiro apenas ao atual governador.

Acho que a grande humilhação pública que Brasília sofreu foi a falta de respeito ao ter dois dos relógios da contagem regressiva para a comemoração incendiados no coração da cidade - e sim: me doeu fotografar esse ato para um jornal local e constatar a falta de respeito do cidadão. Também dói ver que a história candaga se perde a cada dia por falta de uma preservação adequada.

Essa semana, vi pela primeira vez uma postura política ser adotada explicitamente pelo cantor Roberto Carlos, quando o mesmo se recusou a cantar na comemoração dos 50 anos de Brasília por não querer nenhuma espécie de envolvimento com o governo local.

Por isso afirmo: o que vi acontecer hoje com a prisão do governador de Brasília é um novo capítulo na história do país, como ato de intolerância às ações que vêm manchando o nome dessa bela cidade. Vejo como tentativa de fazer com que a impunidade - sempre tão presente na nossa história política - deixe de existir e ainda como uma tentativa de mudança, para que a Brasília dos próximos 50 anos não seja parecida com essa em que vivemos hoje.

Se 'humilhação pública' se referir a constante ridicularização por conta da impunidade presente no centro do poder: Não, nem Brasília e nenhuma outra cidade deveria passar por isso.

Agora se 'humilhação pública' se referir às festas em bares da cidade por ver atrás das grades um dos responsáveis por transformar a capital em motivo de piada: Sim, o aniversário de Brasília é o momento mais oportuno para que haja renovação.

Sobre a última pergunta feita por @dopedrinhobello, digo que nem toda Silva é Xica e nem todo Arruda é José Roberto. Entre tantos Silvas, Souzas e Santos, Arrudas e Pereiras são comuns. Posso afirmar que das 04 últimas gerações de minha família, nenhuma delas vem de Minas Gerais ou tem motivos pra chorar o panetone derramado.